O mesmo, poema de Fagundes Varela

26 05 2012

Leitora, 1913

Giuseppe Mascarini (Itália, 1877-1954)

óleo sobre tela

O mesmo

Fagundes Varela

Desde a quadra mais antiga

De que rezam pergaminhos,

Cantam a mesma cantiga

Na floresta os passarinhos.

Têm o mesmo aroma as flores,

Mesma verdura as campinas,

A brisa os mesmos rumores,

Mesma leveza as neblinas.

Tem o sol as mesmas luzes,

Tem o mar as mesmas vagas,

O deserto as mesmas urzes,

A mesma dureza as fragas.

Os mesmos tolos o mundo,

A mulher o mesmo riso,

O sepulcro o mesmo fundo,

Os homens o mesmo siso.

E neste insípido giro,

Neste voo sempre a esmo,

Vale a pena, em seu retiro,

Cantar o poeta, mesmo?

Em:Poesias Completas de Fagundes Varela, Rio de Janeiro, Ediouro:1965. Este poema foi originalmente publicado em Cantos do Ermo e da Cidade, 1869.

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880

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